terça-feira, 18 de outubro de 2011

E então te viras e lá está a figura... tua visão já está embaçada, a iluminação do ambiente não ajuda, o que pode ajudar nesse momento são teus braços e tuas mãos.
Tentas passar tuas mãos, penetrar, não há nada que se possa tocar, só é possível sentir um gelo, algo refrescante.
Então voltas tuas mãos aos olhos, esfrega e tenta enxergar mais uma vez. Não há nada ali.
Continuas a caminhar pela escuridão, o cheiro de pedra entra pelas narinas, a vontade de espirrar é tanta, mas a necessidade de te manteres silêncio é maior ainda.
Sobes e desces escadas, não chegas a lugar nenhum, a figura volta a aparecer, desta vez mais claramente... veste um vestido prateado de seda, leve. Longos cabelos negros caem pelos ombros, lisos. Poderias facilmente confundir com um anjo, não fosse pelo olhar diabólico, como quem deseja mais e mais. Ambição, malícia e paz.
Sabendo da armadilha, desvias o teu olhar dos olhos dela, passas ao lado como se ela ali não estivesse. Assim então que despertas a fúria da fera, que num golpe brusco te pega pelo colarinho, te levanta fazendo com que tires teus pés do chão. 
Tiras tua espada da cintura, ameaças inutilmente e te encontras nas mãos da criatura, deixas que faça contigo o que quer, pois saída, não tens mais por enquanto. Volta aquele olhar contra o teu. No fundo há como um pedido de socorro, uma chama quase apagando, querendo morrer.
Numa fração de segundos acordas amarrado em uma cama, lá está a criatura, ao teu lado. Vestida apenas com as roupas de baixo, com pedaços de erva doce, banhando tua testa, te acariciando. Assustado tentas te levantar, mas mais uma vez estás entregue às vontade da criatura e te deixas dominar. Ela retira a tua armadura muito suavemente, tu não gritas, por algum motivo sentes que agora podes confiar.
E ali estás, nu. A criatura te domina, tu te deixas dominar, a criatura te beija, tu te deixas beijar. A criatura te solta, tu te deixas soltar, a criatura te deixa ir embora, mas tu insistes em ficar. Já não sabes o que é curiosidade e o que é desejo, queres apagar a chama ou queres te queimar?
Queres matar a fera ou deixar que te domine mais e mais?
É quando então ela pega tua espada, lança à fogueira, aquece o pomo e pressiona contra o próprio peito e tem então, marcado em si mesma, tua marca de guerreiro. A criatura te pertence.
Volta a ti e continua as carícias, tu sabes que não deves mas continuas a receber e retribuir. Sabes que se descobrem o que fazes podes estar morto, mas te deixas levar pelo desejo.





Devaneio total

Focando em uma música só, falando com uma pessoa só, de todas minhas personalidades, tentando usar uma só, de tantos assuntos, buscando um só... não sei porque ainda tento, se eu nunca consigo.
Mas é, eu sou brasileira, não é mesmo? 
Pfff, pra mim isso é calunia. Talvez tenham sim os brasileiros que tem toda essa garra, e se quer saber mesmo, eu os admiro, gostaria até de ter um pouco dessa força de vontade.
É fácil chamar o próximo de irresponsável e de desleixado, mas se ponha no lugar dele, se bem que... esqueça. Muitas vezes nem ele sabe porque se colocou em tal situação e queremos entende-lo... queremos entende-lo quando nem ele mesmo se entende.
Mas sabe o que é pior? Insistimos nisso... certo ou errado?
Mania de usar minhas palavras no plural, sempre faço isso. Talvez me sinta solitária por achar que só eu faço essas coisas ou sou assim.
O ser humano é tão cheio de interrogações... será isso que nos faz querer entende-lo cada vez mais? Falo por mim... tenho sede de conhecimento e de entender sobre as pessoas, seus sentimentos e sensações, saber os seus porquês. Passo dos limites algumas vezes, quero entrar nas mais profundas intimidades, e o mais estranho de tudo é que algumas delas me deixam fazer isso, mas quanto mais fundo, mais interrogações.
Às vezes é melhor deixar as coisas como aparentam ser, deixe essa pessoa mostrar o que quer e te deixar ver o que ela acha que deve... afinal, você gostaria de ter toda sua vida aberta à qualquer pessoa?
E estou escrevendo... quem disse que no fundo não sou mesmo adepta à aleatoriedade? Ou meu subconsciente é que é?
Tenho as minhas desconfianças... perco o fio da meada a todo instante e deixo escapar as coisas mais confusas... se confusas pra mim, imagina para os demais.
Talvez seja bom ser um ponto de interrogação na cabeça das pessoas, há quem goste, e sabe porque? Minha resposta é que quanto mais tempo você gasta tentando se responder, mais você pensa nessa pessoa e implanta ela no seu dia-a-dia... logo ela está tão presente... você não consegue evitar. E as coisas mais simples podem lembrar esse alguém. E então você mais uma vez se pega tentando responder o porque disso e daquilo.
Eu ouço essa música, e que música... acho que já agradeci a criatura amável que me apresentou isso, e se não, faço isso agora.
É uma coisa extraordinária... eu viajo sim por um mundo que não é meu, fecho os olhos e as imagens vem, os pensamentos voam. Se tem algum porém nisso tudo é que as coisas ficam mais bagunçadas do que já são, mas eu não me importo. O dia que eu resolver organizar isso tudo, vou ter um trabalho e tanto, assim como o dia em que eu resolver dar valor as verdadeiras prioridades da vida, e não às coisas superficiais, como venho fazendo... deixando que umas entrem nos lugares das outras. Coisas que nunca deveriam ter saído do lugar de origem e coisas que nunca deveriam ter tomado o posto inicial.
Mas se assim foi, quem sou eu pra questionar... bom, eu sou eu mesma, e se me deixei levar por algum motivo foi, mas não quebrarei a minha cabeça antes do tempo, eu só sei que NADA É POR ACASO.
E você de mim... deve imaginar que sou uma louca. Obrigada, já não chega a mim como insulto, me acostumei, me aceitei, seja lá o que for, sou o que sou e eras isso.